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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Saindo do PV - DF

Dirigentes e filiados do PV DF deixam o partido em busca da nova política


Em 2009 alguns de nós se filiaram ao Partido Verde inspirados pela mobilização que convidou Marina Silva a liderar uma campanha presidencial junto com os Verdes. Outros, já filiados anteriormente, renovaram as energias com essa perspectiva. Acreditamos, naquele momento, que viríamos a fazer parte de um processo de construção coletiva de coerência programática e ideológica, do qual tanto se orgulham os Verdes no mundo todo. A candidatura de Marina Silva inspirou centenas de pessoas a se juntarem ao PV e tomarem as ruas fazendo a diferença na campanha presidencial.

As eleições mostraram que há um forte anseio de participação, principalmente dos jovens, além do desejo de mudar o modelo político hoje vigente visando ética e sustentabilidade na política. As eleições legaram também ao Partido Verde a oportunidade de se firmar no cenário nacional como a alternativa partidária mais comprometida com tais mudanças.

Passadas as eleições, entretanto, as direções nacional e distrital do Partido Verde fizeram sua opção por cerrarem fileiras na velha política. Ao não permitir a construção de processos internos democráticos, temendo a renovação, a maioria dos dirigentes do PV sinaliza que não há intenção de acompanhar o movimento nacional que afirmou nas urnas que deseja uma nova forma de fazer política. A burocracia partidária do PV não está preocupada em manter coerência entre discurso e prática.

O Partido Verde abriu mão de realizar sua transição democrática, consolidando suas estruturas organizacionais com processos democráticos para escolha dos Conselhos e das Comissões Executivas permanentes em todos os níveis. Não se pode querer ser o partido da nova política com a fragilidade de estruturas provisórias, alteradas a qualquer tempo, que geram insegurança para todos os dirigentes e filiados e dificultam a construção de ideais coletivos.

Sendo assim, depois de mais de um ano sem qualquer reunião da executiva do PV no Distrito Federal, tendo visto o partido assumir, sem qualquer debate interno ou proposta programática, espaços relevantes de definição de políticas públicas socioambientais no governo do Distrito Federal, constatamos que não há nem de longe a possibilidade de construir o partido aberto, democrático e de luta que desejamos. Permanecer no PV seria abrir mão de atuar politicamente à altura das exigências da atual conjuntura política. Para responder ao desafio de mudar o destino do Brasil e do planeta é preciso atuar com grandeza de propósitos, e isso é exatamente o que falta hoje aos dirigentes do Partido Verde.

Toda crise esconde uma oportunidade de crescimento. Lamentavelmente não vemos na direção do PV sequer a disposição para enfrentar esse impasse com vistas ao crescimento do próprio partido. Desta forma, nós, militantes por uma nova forma de fazer política que se coaduna com os desafios do desenvolvimento sustentável, não vemos outro caminho senão virar a página da história que nos levou ao PV. Mantemos assim a coerência e o sentido do que nos uniu que manteremos vivo em nossa militância política.

Adolpho Fuíca
Adriana Ramos
Alexandre Pimentel
André Lima
Carlos Inácio Prates
Claudio Pádua
Felipe Varella
Fernando Cássio Costa
Giovani Iemini
Henrique Moraes Ziller
João Francisco Araújo Maia
João Suender
Juarez de Paula
Pedro Ivo Batista
Larissa Barros
Marcelo Lima Costa
Pedro Piccolo Contesini
Rafael Peixoto
Raissa Rossiter
Ramaiana Ribeiro
Suzana Pádua
Wellington Almeida

Saindo do PV nacional

CARTA DE DESFILIAÇÃO À DIREÇÃO DO PARTIDO VERDE


Chegou a hora de acreditar que vale a pena, juntos, criarmos um grande movimento para que o Brasil vá além e coloque em prática tudo aquilo que a sociedade aprendeu nas últimas décadas, experimentando a convivência na diversidade, a invenção de novas maneiras de resolver problemas solidariamente, indo à luta à margem [das estruturas burocráticas] do Estado para defender direitos, agindo em rede, expandindo e agregando conhecimento sobre novas formas de fazer, produzir, gerar riquezas sem privilégios e sem destruição do incomparável patrimônio natural brasileiro.

Esse texto, que abre o documento “Juntos pelo Brasil que queremos – diretrizes para o programa de governo” expressa a motivação do grupo de pessoas que assina esta carta ao ingressar no Partido Verde, e que tinha na candidatura de Marina Silva à Presidência da República a oportunidade de ampliar essas idéias e dialogar com a sociedade.

Participamos, ao longo dos últimos 22 meses, da vida partidária com a expectativa de colaborarmos para colocar em prática os três compromissos que marcaram a entrada da Marina no partido: a candidatura própria à Presidência da República, a revisão programática e a reestruturação estatutária.

Apesar das dificuldades próprias de uma candidatura dessa envergadura, e algumas geradas por resistências internas a um projeto efetivamente autônomo, realizamos uma campanha ampla, que envolveu a militância do partido e a colaboração de inúmeras pessoas da sociedade que encontraram na candidatura um meio de expressão e de representação de desejos e esperança.

Depois de um resultado expressivo na eleição, entendíamos que era o momento de aproximarmos ainda mais o PV desse legado, incorporando na prática do partido propostas como uma nova forma de fazer política, o diálogo horizontal com a sociedade através de redes sociais - digitais ou não, a sustentabilidade como valor central para um projeto de desenvolvimento e muitas outras que receberam ampla adesão social.

Chegamos nesse momento em que reconhecemos que não é possível trilhar esse caminho dentro do PV. As resistências internas, que durante a campanha eram veladas e pontuais, expressaram-se claramente na sua totalidade. A direção do partido, em sua maioria, disse não à democratização de suas estruturas institucionais, ao diálogo com a sociedade e a um projeto autônomo de construção partidária.

Acreditamos que essas propostas não podem ficar enclausuradas em estruturas arcaicas de poder. Queremos resgatar as motivações originais desse projeto, agora participando da construção de uma nova política efetivamente democrática, ética, ecológica, participativa, inovadora e conectada com os desafios e oportunidades que o Século XXI nos impõe.

Pelas razões acima expostas, comunicamos à direção nacional do PV nossa desfiliação, juntamente com Marina Silva. Aos milhares de militantes do partido, estaremos sempre juntos na construção de um Brasil justo e sustentável.

Adriana Ramos

Bazileu Alves Margarido Neto

João Paulo Capobianco

José Paulo Teixeira

Juarez de Paula

Guilherme Leal

Luciano Zica

Marcos Novaes

Pedro Ivo Batista

Ricardo Young

Roberto Kishinami

Rubens Gomes

sábado, 26 de março de 2011

Manifesto pela democratização do PV

Democracia Verde


Manifesto por um PV Aberto, Democrático e de Luta

As eleições de 2010 deixaram um legado. Aproximadamente 20 milhões de eleitores demonstraram que a temática do desenvolvimento sustentável não é mais uma preocupação de minorias esclarecidas, nem uma agenda para um futuro que nunca chega. Pelo contrário, trata-se de um tema urgente, necessário e oportuno, um imperativo da contemporaneidade.

A candidatura de Marina Silva à Presidência representou um novo momento na história do Partido Verde. Um número muito expressivo de antigos militantes, que estavam afastados das atividades partidárias, encontrou um novo ânimo, uma nova motivação para retomar suas atividades políticas. Além disso, milhares de novos militantes têm procurado se aproximar do PV, egressos dos mais diversos partidos e movimentos sociais, como também muitas pessoas que jamais cogitaram se filiar a um partido.

A campanha eleitoral do PV em 2010 simbolizou, para todas essas pessoas, uma nova esperança, uma nova possibilidade de exercício da cidadania ativa, uma nova oportunidade de atribuir valor e sentido à atividade política, uma nova utopia, um novo modo de fazer política.

O PV pode e deve ser a expressão política deste legado. Para isso, precisa enfrentar o desafio imediato de renovar-se, de abrir-se à participação efetiva de seus militantes e simpatizantes.

Nesta perspectiva, os signatários deste documento, filiados ao PV, se colocam publicamente como um “movimento de opinião” em defesa das seguintes posições políticas:

1. Defendemos um PV que assuma uma clara posição de protagonismo político em favor de um modelo de desenvolvimento includente e sustentável, recusando o papel de coadjuvante de outros projetos políticos que não guardam coerência com seus propósitos.

2. Defendemos o cumprimento integral do acordo político que fundamentou a filiação de Marina Silva ao PV, onde se previa a abertura de um processo participativo de rediscussão programática e estatutária.

3. Defendemos a convocação imediata de um Encontro Nacional do PV, para outubro de 2011, com a participação de representantes eleitos em Encontros Estaduais abertos à participação de todos os filiados, para a revisão do Programa, do Estatuto e para a eleição da direção nacional do PV.

4. Defendemos a criação de diretórios municipais e estaduais do PV com direções eleitas em Encontros Estaduais e Municipais abertos a todos os filiados, em substituição às comissões provisórias nomeadas.

5. Defendemos que todas as instâncias de direção partidária adotem composição proporcional à votação obtida pelas chapas que tenham participado em processos eleitorais internos, de modo a preservar a representação das minorias.

Acreditamos que a adoção destas posições contribuirá para organizar e motivar a militância e dotar o partido de uma orientação estratégica que o torne capaz de aproveitar o legado deixado pela campanha de Marina Silva à Presidência. O PV não pode se tornar obstáculo ao aproveitamento e à impulsão de toda essa energia mobilizadora que tem sido revelada nos mais diferentes setores da sociedade, em favor de uma nova utopia política, por um desenvolvimento includente e sustentável.

Desejamos construir um partido aberto, democrático e de luta, à altura das exigências da atual conjuntura política, capaz de responder ao desafio de mudar o destino do Brasil e do planeta. A tarefa não é trivial e exige de todos nós e do PV que atuemos com grandeza de propósitos. É o que esperamos e pelo que lutaremos.

Brasília, março de 2011.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Artigo de Marina Silva

O tempo do PV


Os quase 20 milhões de brasileiros que me deram seus votos na eleição presidencial do ano passado, possivelmente tinham em mente que até poderiam não estar elegendo, naquele momento, a presidente da República, mas, com certeza, estavam elegendo uma expectativa de mudança profunda na política e na adoção do olhar socioambiental como eixo estratégico de organização da sociedade e de estruturação do Estado. Precisamos honrar o crédito dessa expectativa, sob o risco de, eu e o PV, nos transformarmos em devedores de credibilidade, sonhos e esperança. Agora é o momento de mostrar com clareza e sinceridade que vamos saldar nossa conta.

Construir no país uma nova força política significa muito e não se pode confundir tal missão com cálculos imediatistas, nem com vaidades, nem com candidaturas. Não podemos ignorar a oportunidade que a sociedade brasileira nos deu de fazer História.

Agora é o momento de confirmar o que nos une, acima de divergências, erros e dificuldades de comunicação. E de traçar, a partir daí, a estratégia partidária que dialogue com a realidade política do país, mas como pólo inovador e não como mais uma usina de atraso. A esperança não pode ser traída pelas tentações do poder ou pela acomodação aos hábitos, aos costumes, às facilidades. Não estamos agora discutindo futuras candidaturas à Presidência da República ou a quaisquer outros cargos. Estamos discutindo de que matéria essas candidaturas serão feitas: da revitalização da essência democrática do espaço público, ou de política convencional, sem conexão com a sociedade, sem alma, sem causas.

Estamos discutindo aquilo que colocamos em perspectiva lá no início da campanha política de 2010, ou seja, a promessa de reestruturar o PV e, a partir de sua democracia interna, sua postura e seu programa, arejar a cultura política brasileira e apresentar propostas de desenvolvimento compatíveis com o que se espera no futuro, no século 21. Hoje, não há outro assunto mais importante do que esse, porque ainda não nos acertamos, nos detalhes, para seguir nessa direção. E se não é esta a direção, estaremos nos desconstituindo enquanto promessa e negando a própria gênese do PV no mundo.

Muitas vezes falei - falamos - da insatisfação da sociedade, da frustração da juventude com a incapacidade do sistema político para promover o bem-comum e para gerar dinâmicas democráticas verdadeiras em todas as esferas do processo de tomada de decisões de caráter público. Falei, falamos, dos avanços sociais, democráticos e econômicos conquistados com o processo de redemocratização do país, principalmente de FHC a Lula, mas também falei e falamos da necessidade de ir adiante na prática política e na concepção e prioridades do desenvolvimento.

O centro vital propositivo de nosso programa moldou-se a partir de três fontes poderosas de significados: a sustentabilidade, a educação e a renovação política. Não podemos abrir mão de nenhuma delas, ou gangrenamos. Em especial, se deixarmos de lado a renovação política dentro do partido, acabou-se a moral para falar de sonhos, de ética, de um mundo mais justo e responsável com o meio ambiente. Podemos até continuar falando, mas soará falso, como voz metálica de robô.

É impossível negar os problemas. É preciso termos mútua tolerância e respeito à nossa diversidade; é imprescindível termos a paciência para o desconstruir/reconstruir responsável e paulatino. Só não podemos deixar de fazer ou abrir mão do que é essencial. E essa é uma decisão coletiva a ser tomada com clareza, à luz do sol, sem nenhuma dúvida. E a clareza se constrói no cotidiano de nossas pequenas ações e intenções, debruçando-nos, dentro do partido, sobre os passos necessários para atingir aquilo que pregamos para fora: a mudança. Não há como recuar de nossa própria reforma política, e há que encará-la com a coragem e o desprendimento que faltam ao sistema como um todo.

Esse novo jeito de fazer política requer enfrentar a crise geral pela qual passam os partidos, que de instrumentos de representação e avanço social cristalizaram-se como máquinas burocráticas, amorfas e voltadas para a conquista do poder pelo poder, muitas vezes não importando os meios, e abandonando a disputa programática pela simples disputa pragmática.

Em contraposição, podemos criar um partido em rede, capaz de dialogar com os núcleos vivos da sociedade para realizar as transformações de uma forma radicalmente democrática. E a disposição do Partido Verde não pode ser menor do que iniciar, nele mesmo, esse movimento de mudança.

Temos que chegar a uma proposta que reflita esse destino histórico escolhido, apregoado e aceito e abraçado por quase 20 milhões de pessoas.

Considero esse projeto que emergiu da campanha eleitoral de 2010 como um legado. Não é uma espécie de espólio a ser dividido entre herdeiros, mas, sim, um conjunto de propostas que podem e devem ser apropriadas pela sociedade e até mesmo por outros partidos e políticos. Meu maior desejo e, creio, de muitos novos e antigos filiados que participaram ativamente dessa campanha, é que o PV discuta profundamente o significado dessa eleição e incorpore novas práticas ao seu longo e rico percurso de construção partidária.

Por isso, parecia natural que o caminho adotado na reunião da Executiva Nacional, em Brasília, fosse o da adoção inconteste do novo jeito de fazer política. Mas essa não foi a tônica. Ao contrário, a decisão da Executiva Nacional de ampliar seu mandato por até um ano e, assim, postergar qualquer mudança endógena imediata, vai na contramão do que foi dito na campanha e do compromisso feito perante o país.

A ampliação do mandato, segundo seus proponentes, é necessária para a realização de seminários, discussões e aprovação de propostas de democratização do partido. Não creio que o aprofundamento da democracia possa ser feito através da supressão, mesmo que temporária, da pouca democracia ainda existente.

No PV, a maioria das Executivas Estaduais são provisórias, designadas pelo presidente do partido. O mesmo acontece com a totalidade das Executivas Municipais, designadas pelos presidentes estaduais. Praticamente não há convenções municipais e estaduais ou eleições diretas de dirigentes. Esses mecanismos provisórios têm sido vistos como forma de proteger o partido de atitudes oportunistas e da pressão do poder econômico. Agora, eles nos isolam da sociedade, nos fragilizam no que pode nos tornar mais fortes que é a nossa coerência e não nos protegem nem de nós mesmos.

Quero participar das discussões para propor formas mais democráticas de organização partidária, juntamente com todos que estiverem de fato motivados a abrir o partido para a energia revitalizante que vem da sociedade. Lembro que a proposta de adequar o PV a esses novos tempos foi feita pela própria Executiva Nacional, quando do convite feito a mim para ingressar no partido. Ouvi do próprio presidente que a atualização programática e democratização do PV já eram um movimento em curso, uma determinação da própria direção e, acrescento agora, uma imposição da realidade, um desaguadouro natural dos 25 anos de Partido Verde no Brasil.

Por isso, o que está em jogo é se o PV vai fortalecer tudo de positivo que foi construído nesses 25 anos, afastando de vez a zona sombria que ainda envolve o partido. Se beberá da fonte do impulso criativo de milhões de jovens, homens e mulheres que voltam a se apaixonar pela política e se dispõem a colaborar com os verdes. Se vai pegar a trilha civilizatória que se abre no mundo todo, apesar das forças reacionárias de todo tipo que teimam em manter seus status quo à custa de um futuro melhor para a humanidade e para o planeta.

Estou no PV não como plataforma para candidaturas. Estou porque o respeito e vi no partido, pela sua história e pelo que conversamos antes de minha entrada, uma coragem, um arejamento, um frescor juvenil no melhor sentido de ousar mudar, de querer o aparentemente impossível. Reafirmo meu desejo de permanecer neste Partido Verde, contribuindo para o seu crescimento e qualidade política. Estou confiante que a militância verde, seus amigos e simpatizantes, além de todas as pessoas que querem o jeito novo de fazer política, contribuirão para o reencontro do PV consigo mesmo. Tenho plena convicção, como dizia Victor Hugo, de que forte é "a idéia cujo tempo chegou". Não vamos deixar o nosso tempo passar. Ele está aqui, em nossas mãos e em nossos corações.

São Paulo, 24 de março de 2011.

Marina Silva

quarta-feira, 23 de março de 2011

Artigo de Renata Camargo

PV, a meio passo do PPN


“O Partido Verde precisa se reformular para não ser mais um PPN (Partido de Porra Nenhuma). Se a tão prometida revisão do PV não sair do papel, é provável que essa falta de rumo e coerência partidária acabe afundando a legenda”

Renata Camargo*

A expressão “jogou merda no ventilador” cabe bem para o momento. Os artigos publicados pelo deputado federal Alfredo Sirkis (PV-RJ), em seu blog nos últimos dias, abrindo o jogo da confusão envolvendo grandes figurões do Partido Verde brasileiro, mostrou que o buraco da legenda, que se diz alinhada ao pensamento sustentável, é mais embaixo. Por outro lado, fez reacender um sentimento adormecido desde o último outubro: um sentimento de esperança em ver na política uma limpeza de toda essa porcaria.

Em linhas bem gerais, pode-se dizer que Sirkis, em dois textos, faz literalmente o que a expressão acima diz: ele jogou os podres do partido aos ventos e espalhou a lamaceira. A sujeira foi lançada após o grupo ligado ao presidente do PV, José Luiz Penna, no cargo desde 1999, ter reconduzido o mesmo ao posto máximo do partido, a contragosto dos “marineiros”. O fato causou a ira do seleto grupo, que pretendia postular ao cargo um indicado da ex-senadora do PV.

Nos textos, o deputado, em palavras enfáticas, apresenta as disputas internas dos verdes relacionadas, basicamente, à perpetuação no poder de um grupo e a falta de interesse em mexer no conteúdo programático do partido (que significaria a queda de alguns). Nas entrelinhas, Sirkis mostrou também a iconização de uma figura, que pode ser o “chantili” do PV e, ao mesmo tempo, o “estorvo” do partido: a própria Marina Silva.

Em janeiro de 2009, no Fórum Social Mundial de Belém, no Pará – quando ninguém falava em candidato do PV à Presidência –, Marina Silva, ao fim de suas palestras, tinha seu nome ovacionado pelo público – em sua maioria, jovens de classe média, com pensamentos e ideologias ligadas ao que acostumaram chamar de esquerda. Em coro, os jovens – às vezes, “jovens” de cabelos brancos – gritavam “Marina presidente do Brasil”.

A cena, naquele contexto, era, no mínimo, inesperada. Até mesmo para a atriz principal do episódio, a aclamação parecia pegá-la de surpresa. Com um sorriso sem graça (mas daqueles que evidenciam orgulho de si mesma), Marina deixava os locais de palestra escoltada, como uma digna atriz de Hollywood, cujos fãs, ensandecidos, rogavam por um pouco de sua atenção e, quiçá, um autógrafo.

Uma das cenas, eu me lembro bem, foi tão inusitada que chegou a ser bizarra. Na ocasião, me fez lembrar (e rir, por isso) de cenas daquele filme O guarda-costas, da década de 1990, quando Whitney Houston saía protegida pelo seu guarda-costas Kevin Costner. Marina não chegou a ser levada no colo, mas em clima similar de tumulto de fãs, teve que entrar correndo no carro, sob escolta e empurra-empurra.

Marina naquele contexto não era PV. Já era verde, já era relacionada a ambientalistas e à causa da sustentabilidade, já tinha seu nome reconhecido nacional e internacionalmente, mas não era Partido Verde, ela não se restringia à legenda, nem era colocada como o sustentáculo de uma legenda.

Naquele cenário, em que milhares de pessoas ditas esquerdistas ou simpatizantes discutiam terceiras vias para o desenvolvimento da sociedade (e, muitas vezes, sob linguagens ultrapassadas, usando em vão o nome de Marx), Marina simbolizava uma luz no fim do túnel, um caminho para fugir das dicotomias, uma via para sair da esvaziada esquerda-direita, da triste política do jogo dos interesses individuais ou de grupos dominantes. Na época, ela era ainda do PT, mas era aclamada como uma terceira via.

Foi sob o papel de terceira via, que meses depois do fórum, em outubro de 2010, pelo PV, Marina mostrou a força de uma alternativa de poder. Os 20 milhões de votos em Marina forçaram um segundo turno eleitoral e conduziram aquele pleito sem graça para um caminho do “podemos mudar”. À revelia de membros do próprio partido, Marina conseguiu, ao menos de forma macro, negociar acordos programáticos, ao invés de cair no simples troca-troca de cargos para apoio político.

Agora, com as feridas expostas do PV, o sentimento despertado pelo “fenômeno Marina” – o sentimento de uma terceira via para o país, de uma busca por um desenvolvimento do Brasil enquanto nação, com políticos e políticas públicas olhando para a mesma direção do benefício coletivo – se renova de esperança. Será que o partido que se diz bandeira de uma nova forma de pensar o mundo vai conseguir se livrar das antigas e mesquinhas amarras do poder?

O Partido Verde brasileiro, cujo verde aparece, muitas vezes, apenas no título da legenda, precisa se reformular para não ser mais um PPN (Partido de Porra Nenhuma). Com ou sem Marina, se a tão prometida revisão programática (profunda) do PV não sair do papel neste momento político, é capaz que ela não saia nunca mais, e que essa falta de rumo e de coerência partidária acabe afundando a legenda verde no Brasil.

Os 20 milhões de eleitores de Marina são heterogêneos e não podem ser classificados em uma ou duas categorias. Mas é certo que todos aqueles eleitores depositaram naquele voto o sentimento da mudança, da esperança por uma política melhor. Jogar a merda no ventilador neste momento se apresenta como uma forma de reacender a esperança por uma política mais limpa. Talvez a esperança da espera por um milagre, no qual seja possível largar a velha cartilha do poder-pelo-poder, para pensar no poder como um movimento de cidadãos.

*Formada em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), Renata Camargo é especialista em Direito Ambiental e Desenvolvimento Sustentável pelo CDS/UnB. Já atuou como repórter nos jornais Correio Braziliense, CorreioWeb e Jornal do Brasil e como assessora de imprensa na Universidade de Brasília e Embaixada da Venezuela. Trabalha no Congresso em Foco desde 2008.

sábado, 19 de março de 2011

Artigo de Fabiano Carnevale

Bem-me-quer, mal-me-quer: os impasses do Girassol e um chamado ao bom senso



Como construir as pontes entre o PV histórico e o PV que emergiu das urnas com cerca de 20 milhões de votos? Foi com essa pergunta martelando na cabeça desde outubro do ano passado que tenho definido minhas intenções dentro do partido no qual milito desde 1995 e que faço parte da direção nacional desde 2007, quando assumi o cargo de Secretário Nacional de Comunicação da Executiva Nacional. E foi com essa pergunta na cabeça que optei pelo voto de um cronograma que culminasse na Convenção Nacional em 6 meses. Mas já começo reafirmando meu pedido para que não me imputem a marca de ser do “grupo de Marina”, por ter votado pela posição defendida por ela, da mesma forma que rejeito a marca de ser do “grupo do Penna”, por ser parte do coletivo de dirigentes e da chamada “operativa” (o coletivo do Presidente e seu secretariado). Não me coloquem as amarras do debate personalista e despolitizado, pois quem conhece um pouco da minha trajetória partidária, sabe que minhas posições sempre tiveram a marca da independência e autonomia de pensamentos e ações.

Em 2007, depois de ter passado alguns anos afastado dos processos internos por discordar da intensa e cruel disputa interna que havia se estabelecido, decidi que retornaria à luta por um partido ecologista, democrático e plural, dessa vez não mais só no papel de militante mas no de dirigente nacional.

Foi com esse pensamento que apoiei entusiasticamente a entrada de Marina Silva e contribuí ativamente durante a campanha, tendo a oportunidade de conhecer, admirar e colaborar com o trabalho pessoas como Nilson Oliveira, Caio Túlio, Juliano Spyer, Marcelo Albagli, Felipe Vaz, entre outros.

Não podemos correr o risco de abrir novamente um espaço para o debate despolitizado e personalista. Recuso a visão de que se trata de uma luta entre “fisiológicos” e “ideológicos”, ou qualquer intenção de polarizar a disputa política entre “bem” e “mal”, que nós leva ao paralisante “nós” contra “eles”. Possuo em alta conta pessoas que estão em todos os lados dessa disputa. Reconheço na atual direção a competência de ter tirado o partido de uma organização amadora para o que, em 2009, recebeu Marina Silva e em 2010 abalou a polarização PT-PSDB para se transformar numa terceira via moderna e consistente. Da mesma forma que tenho em altíssima conta, os “novos-velhos” companheiros e companheiras que entraram na direção em 2009 e que possuem a mesma importância no rumo dos acontecimentos de 2010 e nas discussões do partido que queremos para a nova década.

Por isso, me recuso novamente a entrar no velho rame-rame das acusações ferinas e das palavras ácidas que só servem para desestimular e mascarar o importante debate que todos queremos, que é a construção de novos caminhos para o Partido Verde. Entendo que para se construir uma disputa política de alto nível, a primeira constatação tem que ser a de que não há anjos nem demônios nesse “éden infernal” que são os partidos políticos brasileiros. Para isso, necessitamos despersonalizar o debate e nos focar no que foi um consenso durante a reunião da última quinta-feira, que é um gradual movimento de atualização programática e reforma estatutária, nos levando a processos mais plurais e participativos dentro de todas as estruturas de poder interno, municipais, estaduais e nacional. Da mesma forma que não é aceitável como argumento de debate, a posição-ameaça de sair do PV e/ou fundação de um novo partido. As experiências recentes de partidos criados como uma forma de resgate de uma espécie de “pureza original” são suficientemente fracassadas para nos tirar desse caminho. E não deixemos, como sempre disse o Gabeira, que o fracasso nos suba à cabeça. Pois um novo partido desse tipo só surge quando o diálogo e a Política fracassam.

O que defendo é que, daqui para frente, o debate precisa sair do dissenso sobre os prazos e ser feito a partir do consenso surgido durante a reunião, que é o estabelecimento de um cronograma de seminários e congressos que culminem numa Convenção Nacional regida por processos que abram o partido para a participação inclusiva de um número expressivo de militantes qualificados (novos e antigos) que legitimem as escolhas das novas direções em todo o país.

O desafio é imenso. Nenhum partido político brasileiro possui verdadeira tradição de debates democráticos e plurais, portanto não temos onde nos espelhar. Será preciso construir algo novo, principalmente utilizando as novas tecnologias da informação como nossas aliadas. Fortalecer (técnica e politicamente) a RedePV (http://redepv.ning.com), nossa rede social interna que já conta com quase 4.000 filiados e simpatizantes de todo o país, para que ela possa se transformar em espaço privilegiado de participação e debates internos.

E como dizia a máxima da conspiração aquariana: let the sunshine in! Deixem o brilho do Sol entrar, iluminando as trevas das acusações pessoais e do debate despolitizado. Começamos agora, apenas começamos. Mas estamos mais vivos do que nunca.

Fabiano Carnevale

sexta-feira, 18 de março de 2011

Artigo de Alfredo Sirkis

O pesadelo verde

Ontem vivi o pesadelo verde. Vi o risco de desmoronar diante de meus olhos o sonho que tivemos em janeiro de 1986 quando juntamente com Gabeira, Herbert Daniel, Lucélia e um punhado de outros fundamos o PV, no teatro Clara Nunes. Nada indicava que aquela reunião da executiva nacional, na quinta-feira, 17 de março de 2011, em Brasília, iria produzir algo tão kafquiano. Era a primeira reunião desde o segundo turno das eleições. Uma direção partidária que não se reunia a cinco meses (!) o que não significa que durante esses cinco meses o poder partidário deixara de ser exercido...

Ao longo dos últimos anos instalou-se uma espécie de presidencialismo sub-reptício neste partido programaticamente parlamentarista. O presidente passou a exercer solitariamente boa parte do poder que caberia à direção do partido com o auxilio de um virtual politiburo (“a operativa”) à qual caberiam apenas tarefas burocráticas mas, como no precedente stalinista, acabou se convertendo no órgão de deliberação, de fato, no lugar de uma executiva balofa, de 58 membros, dos quais boa parte cooptada em barganhas que asseguravam o controle do PV nos estados por quadros fracos e sem representatividade social.

A campanha de Marina Silva à presidência com seus quase 20 milhões de votos e quase 20% do eleitorado deveria ter sido o grande marco de transição para um novo partido que se abre para acolher esse extraordinário movimento. O partido encontra-se diante de uma oportunidade ímpar de crescimento, renovação, incorporação de novas energias. Esboçou-se claramente durante a campanha, na sociedade brasileira, um espaço gigantesco, fascinante, no qual Marina jogou um papel catalisador. Mas dentro da nossa carapaça burocrática, cartorial e clientelista começava a se gestar um discurso bizarro, mesquinho: “afinal o fenômeno Marina não foi tão bom assim para o PV porque o partido só elegeu um deputado a mais do que em 2006”. Houve quem até comentasse, recentemente, à luz da aposentadoria de Ronaldinho: “a era dos fenômenos acabou”. Marina passou a ser vista como um “problema”. Interessante enquanto “cereja” ou “chantili”, mas estorvo quando vem aí com esse papo de democratização do PV.

Acostumado há muitos anos à presença na direção do PV de pessoas intelectual, política e teoricamente totalmente despreparadas cuja cooptação se dá na lógica de assegurar a longevidade presidencial, também me acostumei, por outro lado, a um certo bom senso de evitar romper radicalmente com os verdes históricos. Essa bizarra reação anti-Marina seria, na minha avaliação inicial, um ranger de dentes efêmero de pessoas que não entendiam a grandeza do que havia acontecido na campanha presidencial mas que, como bons companheiros, entenderiam melhor esse significado logo mais adiante. Por essa razão essas articulações e discursos a pé de ouvido não me preocuparam em demasia.

Quinta-feira tudo começou aparentemente bem. Junto com alguns outros companheiros fiz uma análise do processo eleitoral, das novas perspectivas que se abriam e sobretudo da necessidade de uma transição democrática no PV. O PV sempre se debateu com o drama de querer fugir aos modelos de grupúsculo ideológico ou de partido eleitoreiro tradicional. Constantemente viveu a dificuldade de abrir espaço de participação a um universo de simpatizantes e eleitores muito heterogêneo, com múltiplos interesses, variadas formas de se relacionar com a questão ambiental e outras bandeiras verdes. Um universo de diversificadas motivações: desde a tradicional aspiração a uma candidatura até a necessidade de apoio para enfrentar um problema de vizinhança em sua rua.

Depois de muitas experiências traumáticas com as repetidas tentativas de controle por parte de políticos fisiológicos o PV acabou se fechando no que para muitos apareceu como um “grupo de amigos”, o que, convenhamos, é melhor que um grupo de inimigos, mas não resolve o problema. Esse controle estrito pode ter sido importante para a sobrevivência do partido em seus momentos mais difíceis, nos anos 90 e 00, mas deixou de corresponder à realidade de uma nova etapa. Agora, os verdes ou crescem quantitativa e qualitativamente junto com o movimento de opinião pública que suscitaram ou estagnam e entram em decadência.

A hora de começar a mudar é agora, depois daquele extraordinário resultado de 2010. Cabe a construção de um partido-rede. Cada vez mais em todo o mundo se evidenciam as grandes possibilidades de mobilização e participação política com o uso da internet e das redes sociais. O PV deve criar ou adaptar uma rede social para se relacionar com seus filiados de forma participativa e interativa integrando-os aos processos de decisão, inclusive para a eleição das suas direções municipais, estaduais e nacional. Isso passa por essa filtragem --coerente com a noção de “partido de quadros” e não “partido de massas” que o PV se propôs a construir-- por filiados que demonstrem conhecer minimamente o Manifesto e o Programa verdes e por uma certificação digital para efeito de participação nos processos de tomadas de decisões. Mas devemos caminhar, gradualmente, para que as decisões deixem de ser de meia dúzia de dirigentes apenas, mas de milhares, potencialmente milhões de verdes em rede. Isso não é um processo imediato mas precisaria começar a ser construído a partir de agora. O PV não pode ser visto senão como instrumento de uma causa e não a causa em si. Não pode ser simplesmente uma “coisa nossa” cuja tradução em italiano prefiro não mencionar aqui...

Propus um calendário: 1) a correção imediata de certas graves anomalias regionais como as de alguns estados amazônicos onde tivemos dirigentes em conluio com oligarquias locais do tipo Cassol ou Amazonino Mendes (!), boicote à campanha de Marina e um resultado eleitoral nulo 2) uma rodada de seminários nos estados e um nacional sobre O Partido Verde dos Anos 10, 3) um Congresso de Atualização Programática incorporando o trabalho programático feito durante a campanha, inclusive a Agenda Verde do segundo turno, ao programa do partido 4) e, finalmente, em tempo hábil para a reta final do prazo de filiações para as eleições de 2012, nossa Convenção Nacional para eleger o novo Conselho que por sua vez elegeria uma nova executiva e esta seus cargos, inclusive a presidência.

Todos, aparentemente, concordaram com essa linha de procedimento e, também, com a noção de que nos últimos anos o partido sofrera uma deriva presidencialista anômala. Marco Mroz, Sergio Xavier, Mauricio Bruzadim e, finalmente, a própria Marina falaram no mesmo sentido abrindo para o PV a perspectiva de assimilar os frutos da campanha e tomar o caminho de uma transição democrática que, na minha opinião, deveria resultar também numa transição geracional logo mais. Penso que o partido não deve ser conduzido indefinidamente por sessentões e cinquentões. A campanha revelou uma juventude maravilhosa que pode em pouco tempo receber o bastão.

Todos pareciam concordar. Eu estava tranqüilo, relaxado, feliz com o nosso partido que parecia acordar da letargia e dos bizarros rumores dos longos cinco meses pós-eleitorais. De repente alguém me avisou que o deputado José Sarney Filho ia propor uma pura e simples prorrogação, por um ano, do mandato daquela executiva, e, consequentemente --é claro-- do presidente José Luiz Penna que está no seu décimo segundo ano como presidente. Minha indignação foi na medida da minha surpresa. Não me passara pela cabeça que tendo, aparentemente, maioria no conselho e provavelmente da convenção eles chegariam ao extremo da cara-de-pau de propor prorrogação de mandato apenas para poder assegura-se ainda mais de que a coisa não lhes fugiria das mãos. Que manteriam por mais um ano o poderzinho para poder, em seguida, se perpetuar no partido, que assim insiste em permanecer alheio ao movimento da sociedade.

Argumentamos que realizar uma convenção em ano eleitoral seria uma temeridade. Surgirá certamente um bom argumento para adia-la mais uma vez, para não dividir o partido diante das eleições. Até lá já terão aderido ao governo e assegurado o controle completo do partido mediante os métodos tradicionais da política brasileira. Não reagi da maneira mais conveniente. Bater boca nunca é o melhor caminho, mas tem situações onde engolir sapo dá vômito, e se não der, dá câncer. O fato é que “estourei”. Logo mais surgiu a brilhante idéia de prorrogar por dois anos! Seria apenas o bode na sala? Começo a acreditar que a palavra de ordem Penna Forever, que vi num cartaz em São Paulo há tempos, não é piada não. É sério: caminhamos para uma presidência vitalícia??? A quebra de confiança se instalou entre nós.

Marina ficou perplexa ainda que não propriamente surpresa. A animosidade da burocracia no partido contra ela era algo que ela vinha reparando há tempos e constantemente lhe garantindo que exagerava. Naquela hora percebi que não. Digamos que, na melhor das hipóteses, criaram por ela uma relação amor-ódio. Amor pelo que de prestígio indireto pode lhes aportar. Ódio quando sua visão de transição democrática é vista como ameaça a seus poderzinhos...

O fato é que aprovaram a moção de Sarney Filho por 29 votos a 16 com base em acordos com as clientelas internas que dominam muitos estados mantendo o partido na sua condição de vergonhosa estagnação, garantias de cargos e também o medo que existe em relação a qualquer mudança mais profunda no pequeno partido que somos, naquela nossa "coisa nossa". Dirão que estou exagerando já que “quase tudo” de minha proposta foi aprovado e que é apenas uma questão de prazo: em vez de fazer a convenção em julho de 2011 fazer até março de 2012.

Mas é uma diferença muito grande sempre que tivermos uma convencão já em cima ou depois do prazo fatal de filiação em final de setembro de 2011. Mas a questão central não foi aquela decisão, em si, mas tudo que ela sinaliza. Sinaliza a disposição de manter um presidencialismo com aparente vocação de, pelo andar da carruagem e sem piada, tornar-se vitalício. Significa a disposição de Penna e Sarney de romper com o setor mais histórico e ideológico dos verdes e afastar Marina --a não ser que sirvamos simplesmente de “chantili”, como ela define--, mediante sucessivas rasteiras e levar o partido para o governo em conluio com o novo partido de Kassab com o qual eles têm tido muitas reuniões. O sentido mais estratégico de tudo isso é anular os verdes como terceira força, desconstruir 20 milhões de votos, debandar 20% do eleitorado.

O que nos resta? Digo aqui claramente que não admito o presidencialismo vitalício, o pensar pequeno, o fechar-se em um pequeno grupo, o não abrir-se ao universo que emergiu na sociedade brasileira na campanha de Marina. Vamos esgotar todas as possibilidades de diálogo, discussão e esforço fraterno para fazer o PV recuperar seu juizo, seu ideário, seu idealismo, sua identidade como instrumento, não como finalidade em si mesmo. Diz o nosso Manifesto: O Partido Verde se define como um movimento de cidadãos e não de políticos profissionais ou homens de aparelho. Considera que o povo brasileiro está descontente com a chamada "classe política" e almeja um tipo de representação e ação mais eficiente, desinteressada e moderna. O povo brasileiro está cansado de uma elite fisiológica, que vê na política não uma forma de representação das aspirações dos cidadãos, mas uma carreira profissional, um caminho de enriquecimento e poder individual.

Há vinte cinco anos redigi este texto, aprovado pelo coletivo verde que criou o PV, e continuo fiel a ele. Se, eventualmente, tivermos que começar tudo de novo o faremos. Não seremos, como garante Marina, “uma fraude”, um discurso falso, um consenso oco, um chantili, muito menos uma confraria de hipócritas.

Alfredo Sirkis, deputado federal (PV/RJ)

 

sábado, 21 de agosto de 2010

Minha avaliação

Uma estratégia equivocada

Permaneço como eleitor de Marina, mas não sei se ainda estou ou se algum dia estive na coordenação da campanha. Não estou reclamando, mesmo porque minha disponibilidade é reduzida e minha disposição pessoal não é mais a mesma de algum tempo atrás. A última vez que fui convocado para uma reunião da coordenação nacional da campanha foi em 04/06/2010. Desde então, acho que lembraram de me esquecer.

Minha percepção é a seguinte:

Marina tem uma história pessoal que permite alguma associação com a história “mítica” do Lula, tem carisma, e tem uma relativamente boa capacidade de comunicação, apesar de ter adquirido um estilo que considero, muitas vezes, excessivamente acadêmico.

Marina construiu um discurso onde tenta se vender como representante de uma trajetória que parte da herança de FHC (estabilidade monetária, responsabilidade fiscal e consolidação democrática), passa pelas conquistas de Lula (retomada do crescimento econômico, aumento da renda das classes C, D e E por meio das políticas sociais, ampliação do mercado interno) e aponta em direção a um novo modelo de desenvolvimento, pretensamente “sustentável”. Todavia, penso que não consegue explicar e comunicar da forma adequada o que seria esse novo modelo de desenvolvimento. Seu discurso tem se mostrado repetitivo, indicando um certo esgotamento do repertório.

Houve uma clara subestimação dos problemas internos do PV. Marina está sendo usada para ampliar a votação do partido e aumentar sua bancada, beneficiando uma burocracia que sobrevive às custas da parcela do PV no Fundo Partidário. Todos os acordos feitos previamente foram desrespeitados. Não há candidaturas majoritárias próprias do PV na maioria dos estados. Há dezenas de alianças estaduais do PV que simplesmente inviabilizam a campanha de Marina. Não há nenhuma democracia interna no PV e as instâncias de direção não funcionam, de modo que a direção real acontece de forma personalista e informal.

Mesmo sabendo que não existiriam palanques estaduais fortes, nem doações empresariais relevantes para financiamento da campanha, demorou muito para ser criada uma estrutura capaz de estimular e captar milhões de pequenas doações espontâneas, e não foi criada, até agora, uma estrutura para dar suporte a uma campanha baseada no trabalho voluntário de milhões de pessoas espalhadas pelo país.

A campanha, até agora, é "virtuosa e virtual", ou seja, tem se resumido ao aproveitamento de espaços de mídia e às atividades que contam com a participação pessoal de Marina. Para isso existe uma estrutura minimamente suficiente: jatinho particular, carros com motoristas, staff de assessores, veiculação própria em diversas ferramentas da internet. Fora disso, não há mais nada: material de campanha suficiente, comitês, suporte para os candidatos majoritários e proporcionais do PV etc. Afirmei várias vezes que o ambiente é de “cada um por si e todos por Marina”.

Tenho dito que se trata de uma campanha “doméstica”. Marina se cerca de amigos, funcionários do seu gabinete no Senado, ex-integrantes de sua equipe no Ministério do Meio Ambiente e dirigentes de algumas ONGs ambientalistas. Quase ninguém tem experiência política partidária e eleitoral. Há exceções, mas têm se revelado insuficientes para a tarefa. Essas pessoas criaram um "cordão sanitário" que isola Marina e dificulta o contato até mesmo com seus apoiadores.

Há uma sobrevalorização da capacidade de Marina em capitalizar o “voto evangélico” (como se os demais candidatos também não tivessem aliados importantes nesse segmento) e uma subestimação dos impactos negativos de seus compromissos religiosos junto ao eleitorado de classe média urbana com perfil ideológico mais à esquerda. Há uma sobrevalorização do impacto eleitoral de iniciativas como o “Movimento Marina Silva” e as “Casas de Marina”, apresentados como instrumentos inovadores de campanha.

A verdade é que Marina estacionou em todas as pesquisas, a despeito de termos atravessado uma fase da campanha em que os candidatos vinham sendo tratados de forma equivalente. Agora, após o início do Horário Eleitoral, a relação passará a ser bastante desigual e desvantajosa para Marina. Existe a expectativa de que Marina cresça nos debates. Entretanto, sua participação no primeiro debate não deu indicativos seguros disso. Existe a expectativa de que Marina cresça com as propagandas de TV. Veremos.

Sinceramente, acho que o "projeto político", que nunca foi discutido coletivamente, está se revelando bastante personalista e messiânico. Não há esforço efetivo para eleger uma bancada nem para constituir um grupo político nacional. Há apenas a iniciativa de aproveitar a oportunidade das eleições presidenciais para projetar Marina como símbolo de "alguma coisa nova" que ainda não se sabe exatamente o que é ou virá a ser. Lamento, mas é muito pouco para dar sentido à militância de quem, há trinta anos, tenta construir projetos coletivos.

Continuarei torcendo, como tenho feito desde o início, para estar completamente equivocado. Continuarei esperando, até o fim, por uma surpreendente reviravolta nos acontecimentos. Sei, desde agora, quem serão considerados os grandes estrategistas e coordenadores de uma campanha vitoriosa. Porém, caso ocorra o que considero uma derrota, ou seja, um resultado muito aquém do potencial e uma eventual redução da representação do PV, espero que esses mesmos estrategistas e coordenadores assumam suas responsabilidades, de forma compartilhada com Marina, que os escolheu e empoderou, em detrimento de outros que apostaram muito em um projeto coletivo.

Juarez de Paula

Problemas na campanha

Brincando de casinha


Responsáveis pelos comitês domiciliares da campanha de Marina Silva reclamam da falta de material e estão longe de desempenhar o papel de divulgadores das ideias da candidata verde

Alana Rizzo

A 43 dias das eleições, as Casas de Marina, comitês domiciliares lançados pela candidata à Presidência da República Marina Silva (PV), estão passando por um “apagão”. Sem material oficial de campanha, a ideia, reformulada pela cúpula do partido, está longe de atingir o objetivo de disseminar as propostas verdes. As unidades residenciais, segundo a candidata, iriam mostrar um novo jeito de fazer política, com “núcleos vivos da sociedade”. As casas, tema de um futuro programa eleitoral, compensariam as dificuldades financeiras da campanha e a falta de capilaridade do partido nos estados. Até agora, já foram registradas 701 unidades em todo o país.

“Estou doido para trabalhar. Só que não recebi nada. Entrei de corpo e alma na candidatura da Marina e desse jeito não tenho nem como divulgar as ideias”, reclama o mecânico José Jerônimo Sobrinho, filiado ao PV e dono de uma casa que a própria Marina inaugurou no início de julho em Uberlândia (MG).

No Gama, a família de Luzia Macedo também espera panfletos, adesivos e informações sobre como ajudar na campanha. “Os meus netos falaram que o material ia chegar pelos Correios, mas até agora nada”, conta a aposentada, que ainda não decidiu em quem vai votar. Na casa dela não há sinal da candidatura verde. Apenas um banner do candidato a deputado distrital Agaciel Maia, ex-diretor do Senado e pivô do escândalo dos atos secretos.

O Movimento Minha Marina define a casa como um local para a interação com a comunidade. Na Zona Sul do Rio, as residências não têm identificação e os vizinhos desconhecem o trabalho dos militantes. “Um morador daqui apoiando a Marina? Tem certeza? Não conheço”, diz uma senhora, moradora no mesmo edifício em que está cadastrada uma Casa de Marina na Rua Santa Clara, em Copacabana. A dois quarteirões de lá, outro comitê desconhecido. “Não tem ninguém. Acho que a dona Cláudia faz campanha para o Fernando Gabeira”, diz o porteiro, referindo-se ao candidato do PV ao governo do Rio. Em Ipanema e Botafogo, a situação era a mesma.

“Faça você mesmo”

O coordenador da campanha verde, João Paulo Capobianco, nega o “apagão”. Segundo ele, o conceito das Casas de Marina é o “faça você mesmo”. É pedido que os donos das casas distribuam material de campanha, convidem pessoas para conversar e realizem encontros de debates com pessoas da vizinhaça. Também se sugere que seja dado um nome para a casa e que a unidade seja abastecida com informações sobre a candidata.

Capobianco, entretanto, garante que o material oficial está sendo enviado pelo Diretório Nacional às unidades registradas. De acordo com informações prestadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a candidatura verde já gastou R$ 3,47 milhões. Desse valor, pouco mais de R$ 1 milhão é destinado à publicidade de materiais impressos. Ainda não constam despesas postais.

Correio Braziliense, 21/08/2010

domingo, 4 de julho de 2010

Pesquisa IBOPE

Ibope: Dilma (PT) 39% x 39% Serra (PSDB)


Pesquisa Ibope divulgada hoje (4.jul.2010) indica empate entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Ambos têm 39% das intenções de voto. Marina Silva (PV) tem 10%. Os eleitores indecisos são 7% do total e os que vão anular ou votar em branco, 6%.


Contratada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a pesquisa foi feita de 27 a 30.jun.2010 e tem margem de erro de 2 pontos percentuais. Está registrada no TSE com o n°17245/2010.


Com relação à última pesquisa Ibope contratada pela ACSP (feita de 13 a 18.abr.2010), Dilma cresceu 10 pontos percentuais (saiu de 29% para 39%) e Serra cresceu 3 pontos (saiu de 36% para 39%).


No entanto, a última pesquisa Ibope (divulgada em 23.jun.2010 e feita de 19 a 21.jun.2010) mostrou, pela 1ª vez, Dilma à frente de Serra por uma diferença maior que a margem de erro. Aqui, quadro com todas as pesquisas de intenção de voto para presidente da República.


2° turno

A pesquisa divulgada hoje (4.jul.2010) também testou um confronto de 2° turno. Dilma e Serra ficaram com 43% cada. Brancos, nulos e indecisos foram 15% dos eleitores.


Espontânea

Os resultados acima são da pesquisa estimulada (na qual o pesquisador apresenta ao entrevistado uma lista com o nome dos candidatos). Na modalidade espontânea (em que o eleitor escolhe seu candidato sem ver nenhuma relação de nomes), Dilma Rousseff (PT) teve 22%. Serra teve 16% e Marina, 4%. Lula, que não é candidato, ficou com 12% das menções. Outros nomes tiveram, juntos, 3%. Brancos, nulos e indecisos somaram 42%.

Blog do Fernando Rodrigues
http://uolpolitica.blog.uol.com.br/

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Pesquisa Datafolha

Empate entre Serra e Dilma permanece, aponta Datafolha


FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA


Depois das convenções que oficializaram suas candidaturas à Presidência e às vésperas do início oficial da campanha eleitoral, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) estão tecnicamente empatados, segundo pesquisa Datafolha realizada ontem e anteontem em todo o país.
O tucano tem agora 39%, contra 38% de Dilma. Marina Silva (PV) aparece com 10%.
Entre os 2.658 entrevistados, 5% responderam que pretendem votar em branco ou nulo. Outros 9% disseram não saber. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
O quadro mostra pouca variação em relação a 20 e 21 de maio, quando Serra e Dilma tinham 37% e Marina, 12%.
Em junho, Serra concentrou aparições em programas de TV de 10 minutos do PSDB, do PTB e do PPS, partidos que o apoiam. Também teve alta exposição em propagandas curtas de rádio e TV dessas legendas.
Em maio, o levantamento foi produzido após Dilma Rousseff também estrelar propagandas do PT.
Em maio, 29% diziam ter visto algum comercial do tucano nos 30 dias anteriores. Agora, 50% responderam "sim" à mesma pergunta.
Já em relação a Dilma, em maio 37% diziam ter lembrança de comerciais da petista nos 30 dias anteriores à pesquisa. Agora, o percentual é próximo: 34%.
O PT usou vários horários regionais de sua propaganda partidária para manter Dilma em evidência em junho.
ESPONTÂNEA
Um resultado da maior exposição de Serra em junho fica evidente no levantamento espontâneo, quando os entrevistados dizem em quem pretendem votar sem ver uma lista de nomes.
Há um mês, o tucano tinha 14% na pesquisa espontânea. Subiu agora para 19%. Dilma estava com 19% e foi a 22%. Marina manteve 3%.
Nesse quesito, Dilma tem ainda potencialmente a seu favor os 5% que não sabem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se reeleger e declaram voto nele.
Há também 4% inclinados a votar em quem Lula indicar e 1% no "candidato do PT".
Serra manteve a maior rejeição, com 24% dizendo que não votariam nele de jeito nenhum, mas a taxa teve leve queda: era de 27% em maio. Dilma se manteve com 20% de rejeição. Marina tem 14%, mesmo índice anterior.
No cenário em que são incluídos os candidatos "nanicos", o empate se mantém: Serra tem 39% e Dilma, 37%. Marina vai a 9%.
Apesar do empate, Dilma lidera quando o eleitor é questionado sobre a expectativa de vitória. Para 43%, Dilma será eleita, contra 33% dos que apostam em Serra.
Houve também estabilidade do cenário de eventual segundo turno. Serra aparece com 47% e Dilma com 45%. Em maio, o tucano registrou 45% contra 46% da petista.
Dilma continua tendo suas melhores taxas no Nordeste, onde subiu de 44% para 47%, e Norte/Centro-Oeste, onde foi de 40% para 42%.
Já Serra está melhor no Sul, onde sua intenção de voto subiu de 38% para 50%, e no Sudeste, onde tem 43%, contra 40% de maio.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Pesquisa Vox Populi

Vox Populi: Dilma Rousseff (PT) 40% x 35% José Serra (PSDB)


Pesquisa Vox Populi sobre a eleição presidencial indica que Dilma Rousseff (PT) tem 40% das intenções de voto. José Serra (PSDB) tem 35%. Marina Silva (PV), 8%. A sondagem foi feita de 24 a 26.jun.2010 e tem margem de erro de 1,8 ponto percentual. O Blog vai publicar mais resultados obtidos pelo Vox Populi assim que eles estiverem disponíveis.

Pela 1ª vez, Dilma passa a frente de Serra em pesquisa Vox Populi. A última sondagem do instituto (feita de 8 a 13.mai.2010) indicou empate técnico entre os candidatos, por conta da margem de erro – que era de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. Em maio, no cenário em que apenas os Dilma, Serra e Marina foram apresentados aos entrevistados , a petista teve 37% (podendo variar de 34,8% a 39,2%, por conta da margem de erro). O tucano teve 34% (variando de 31,8% a 36,2%).

Na semana passada (em 23.jun.2010), o Ibope também divulgou sua 1ª pesquisa em que Dilma ficou à frente de Serra. Por coincidência, o resultado foi 40% contra 35%.

Espontânea

Os resultados acima são da pesquisa estimulada (em que o entrevistador apresenta uma lista com nomes dos candidatos para o entrevistado). A pesquisa Vox Populi divulgada hoje (29.jun.2010) mostra ainda resultados obtidos na modalidade espontânea (em que o eleitor diz qual é seu candidato sem ver nenhuma lista de nomes): Dilma tem 26% e Serra tem 20%.
O Vox Populi entrevistou 3 mil eleitores, de 24 a 26.jun.2010. O registro da pesquisa no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) é o 16944/2010.

 
Por Fernando Rodrigues

domingo, 20 de junho de 2010

Comentário de colunista - 2

Marina é um perigo, é candidata da paz
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Numa campanha feroz e marquetada, ela parece que saiu da floresta de "Avatar"

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O desempenho da candidata Marina Silva na sabatina da Folha trouxe um aviso. Ela não é uma excentricidade. Numa campanha de ferocidades marquetadas, ela fala baixo, é serena. Não está com raiva nem vê o prenúncio do fim do mundo nos adversários. Pela biografia, não precisa brincar de rico contra pobre nem de pobre contra rico, muito menos de Lula ou anti-Lula: "É por isso que eu estou aqui, para quebrar o plebiscito".

Ela teve entre 7% e 12% nas últimas pesquisas e, pela exposição recente, deverá subir. A partir de agosto, levará a pancada da falta de espaço no horário gratuito oficial, pois terá apenas um minuto e meio diário. Poderá se preservar com a equanimidade do noticiário dos meios de comunicação.

De início, supunha-se que Marina tiraria votos destinados ao PT, mas isso não é mais uma certeza. Ela cresce junto aos jovens e junto a eleitores que se lembram do Brasil distendido de Fernando Henrique Cardoso. Percebe-se até mesmo um tipo de preferência móvel, a da pessoa que prefere votar em Marina, mas confessa: "Se eu sentir que assim elejo a Dilma no primeiro turno, voto no Serra". A essa altura da campanha, Marina Silva representa um voto sem culpas por mensalões ou privatarias.

Há quatro anos, existiu o caminho alternativo de Heloísa Helena, mas a senadora incomodava pela estridência. A ex-ministra do Meio Ambiente, com seu jeito de quem saiu ou está a caminho do filme "Avatar", aparece como uma candidata da paz, de um Brasil que há 21 anos não vê uma campanha eleitoral sangrenta e sente-se muito bem assim.

Elio Gaspari
Folha de São Paulo, 20/06/2010

Comentário de colunista - 1

A CARA


Não há dúvida: sucesso onde quer que vá, quem faz é Marina Silva.

Jânio de Freitas
Folha de São Paulo - 20/06/2010

domingo, 6 de junho de 2010

O futuro começa agora

Agora ou nunca


Saio de férias, deixando você entregue à Copa, às convenções partidárias e aos presidenciáveis, especialmente a José Serra e a Dilma Rousseff que, entre tantas coisas em comum, têm a urgência: ou ganham a Presidência desta vez ou não ganham nunca mais.

Serra, pela idade. Ex-prefeito, ex-governador, ex-ministro do Planejamento e da Saúde e com uma coleção de vitórias e derrotas -inclusive para a Presidência, em 2002, para Lula- ele tem 68 anos. Se perder, foi-se o sonho de subir a rampa. A fila anda. Em 2014, será a vez de Aécio Neves.

Dilma, pela artificialidade da candidatura. Ex-ministra de Minas e Energia e da Casa Civil, ela nunca disputou cargo eletivo e, portanto, nunca foi vereadora, deputada, senadora, prefeita nem governadora e não chega a ser um peixe dentro d'água no PT.

Só está candidata por obra e graça de Lula. Ele decidiu, o PT engoliu, os aliados foram atrás. Se ela perder, evapora-se a presidenciável. Ou Lula vem aí como candidato em 2014, ou o PT vai querer impor um nome realmente seu.

A diferença entre o tucano e a petista é que Serra é um político de carreira e, presidenciável ou não, mantém o fôlego eleitoral para outras disputas que não para presidente e a capacidade de articulação no PSDB e arredores. Dilma volta a ser burocrata, provavelmente sem liderança central no PT.

Do trio em disputa, só Marina Silva tem condições de sair da campanha e se recompor para a próxima presidencial. Por causa do "recall", da idade (52), da biografia, da oportunidade do debate ambiental e por ser uma terceira via para esse confronto infernal entre PT e PSDB. Tudo depende das urnas. Ou do patamar que conseguir no final.

É bastante diferente, portanto, do que ocorre com os favoritos Serra e Dilma. Lula perdeu três e ganhou na quarta, mas os dois jogam seu destino como nunca nesta campanha. Para ambos, é agora ou nunca.

PS - Até a volta!

Eliane Cantanhêde
Folha de São Paulo, 06/06/2010

sábado, 5 de junho de 2010

Pesquisa IBOPE

Ibope: Serra e Dilma estão empatados com 37% das intenções de voto

UOL Eleições
Em São Paulo

Os pré-candidatos à Presidência da República José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) estão empatados com 37% das intenções de voto, segundo a pesquisa Ibope divulgada neste sábado (5). O levantamento foi contratado pela "Rede Globo" e pelo jornal "O Estado de São Paulo".
Marina Silva, pré-candidata pelo PV, aparece com 9%. Votos brancos e nulos somam 9% e os indecisos, 8%.
A pesquisa ainda analisou o índice de rejeição dos candidatos. Questionados em qual candidato não votariam de jeito nenhum, 24% dos eleitores disseram o nome de Serra, 19% o de Dilma e 15% citaram Marina.
Numa simulação do segundo turno das eleições entre Serra e Dilma, ambos aparecem novamente empatados com 42%. Votos brancos e nulos somam 9% e os indecisos, 7%.
Governo Lula tem 86% de aprovação
O Ibope também ouviu a opinião dos eleitores sobre o governo Lula. Dos entrevistados, 86% aprovam a atual administração, contra 11% que disseram desaprovar. Ainda conforme a pesquisa, 75% consideram o governo Lula ótimo ou bom ; 20% regular e 5% ruim ou péssimo.
De zero a dez, o presidente Lula recebeu nota média de 7,8 dos entrevistados. A pesquisa Ibope entrevistou 2.002 pessoas entre os dias 31 de maio e 3 de junho. A pesquisa tem margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos e está registrada no TSE (13642/2010).

Comentário do Blog: Praticamente repete os números da última pesquisa Datafolha.

domingo, 30 de maio de 2010

Convenção Nacional do PV

Participe!

O Partido Verde - PV realizará sua Convenção Nacional em Brasília.
Será no dia 10/junho, no Centro de Eventos Brasil XXI, ao lado da Torre de TV.
Compareça!

domingo, 23 de maio de 2010

Agenda - Siga Marina

Siga Marina

Na próxima segunda (24/05) pela manhã, em São Paulo, Marina será entrevistada ao vivo, a partir das 8h, no Jornal da Rádio CBN.
Na terça (25/05), ela estará em Brasília em evento organizado pela CNI, a Confederação Nacional da Indústria. A partir das 9h, os presidenciáveis debaterão as propostas para a indústria no próximo governo.

Você pode seguir por links divulgados no Blog da Marina - http://www.minhamarina.org.br/

Juarez de Paula

sábado, 22 de maio de 2010

Pesquisa Datafolha

Dilma empata com Serra

Pesquisa Datafolha realizada nos dias 20 e 21 de maio e divulgada hoje, mostra Dilma e Serra empatados com 37% das intenções de voto e Marina com 12%.
Comparando com a pesquisa anterior, Dilma cresceu 7%, Serra caiu 5% e Marina manteve o mesmo percentual.
A mudança nos indicadores está sendo atribuída à maior identificação de Dilma como a pré-candidata apoiada pelo Presidente Lula, evidenciada por recentes inserções de propaganda partidária do PT na TV.

Juarez de Paula

Pesquisas Vox Populi nos estados

Marina tem 12% no DF

Pesquisas realizadas pelo instituto Vox Populi nos estados, sob encomenda da BAND, no período entre 08 e 12 de maio, mostraram que Marina Silva tem 12% de intenções de votos no DF, 11% no RJ, 9% em SP e 8% em MG.
Tirando o AC, onde Marina lidera, o DF é onde a pré-candidata alcança seu melhor resultado, a despeito do PV local sequer ter definido uma estratégia eleitoral.
Importante considerar que o PV tem no RJ a pré-candidatura do deputado federal Fernando Gabeira para governador, que tem em SP a pré-candidatura do ex-deputado federal Fábio Feldmann para governador e do empresário Ricardo Young para o senado, que tem em MG a pré-candidatura do deputado federal José Fernando Aparecido a governador, portanto, existe uma pré-campanha em movimento nesses estados, onde a presença de Marina Silva tem sido constante.
No DF, ao contrário, ainda não há definição de pré-candidatos e nenhuma atividade da pré-campanha de Marina agendada. Mesmo assim, os resultados são promissores, o que mostra a grande potencialidade da pré-candidata junto ao eleitorado da capital federal.

Juarez de Paula