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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Fora Rosso!

Nova sede da Câmara Legislativa é invadida por 30 pessoas


Polícia negocia com manifestantes, que vão permanecer no local. Não há confrontos.

Daniel Brito

Policiais militares (do 11º CPMIND e do Bope) chegaram a nova sede da Câmara Legislativa do DF (CLDF), que foi invadida por um grupo de 30 manifestantes, que exigem a invalidação da eleição indireta e a saída do governador Rogério Rosso (PMDB). Não houve confronto e, depois de uma negociação, ficou definido que os estudantes ficarão restritos a uma área específica do prédio.
A partir de agora, apenas a imprensa e o advogado do grupo terão acesso ao local. Os funcionários da Ágil, empresa de segurança responsável pelo prédio, foram orientados pela polícia de que deveriam pedir a reintegração de posse, já que se trata de um prédio público desocupado.
Invasão
Os manifestantes invadiram a nova sede da Câmara Legislativa do Distrito Federal, localizada no Setor de Indústrias Gráficas, em frente ao Palácio do Buriti, por janelas abertas no subsolo, e se instalaram na segunda sobreloja. Uma faixa na fachada do prédio traz os dizeres "Poder público".
A expectativa era de que o prédio fosse inaugurado em maio. Os manifestantes disseram que a invasão foi planejada na noite desta terça-feira (20/4). Hoje, o grupo ainda protestou contra o governador Rogério Rosso (PMDB) e levou os bonecos do Tony Panetone e Bezerra de Ouro na parada da Disney.
Histórico
Os invasores da nova sede da CLDF são os mesmos que resistiram na reitoria da UnB, no ano passado, até a saída do reitor Timothy Mulholland, e que, em dezembro, tomou conta do prédio em uso da Câmara, no fim da Asa Norte.

Correio Web
http://www.correioweb.com.br/

Intervenção Já!

Intervenção federal ainda é a melhor solução no Distrito Federal, diz procurador-geral da República no dia do aniversário de Brasília

Camila Campanerut
Do UOL Notícias
Em Brasília

Em meio às comemorações do aniversário de 50 anos de Brasília nesta quarta-feira (21) e dias depois da eleição do novo governador do Distrito Federal, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse acreditar que a melhor forma de dar fim ao maior caso de corrupção do DF é a intervenção federal, proposta por ele ao STF (Supremo Tribunal Federal).

“Continuo convencido de que é a intervenção [a melhor solução para o DF]. Não é a solução que eu desejaria, mas a única solução que  me parece indispensável para o saneamento do Distrito Federal é a intervenção”, afirmou Gurgel, que participou de uma sessão solene em comemoração aos 50 anos da sede do STF em Brasília.

Questionado se com a eleição indireta o governo local poderia ter restaurada a normalidade de seus trabalhos e serviços, o procurador reforçou que a corrupção não se restringe ao Poder Executivo, em referência ao fato de servidores da Câmara Legislativa serem citados no inquérito da Polícia Federal sobre o caso de corrupção no DF.

“Eu acho que a eleição indireta reforçou a necessidade de intervenção federal na medida em que o colégio eleitoral é formado pela maioria de deputados envolvidos no escândalo de corrupção instalado no governo do Distrito Federal”, destacou Gurgel, sobre o fato de oito dos 13 votos nas eleições indiretas que elegeram Rogério Rosso (PMDB) serem de deputados investigados pela PF.

Para Gurgel, o assunto da intervenção deve entrar na pauta do STF assim que houver a troca de ministros que ocupam a presidência – sai Gilmar Mendes e entra Cesar Peluzo. “A normalidade não existe, é apenas uma aparência de normalidade (...) tenho certeza que passada a troca de presidentes, teremos mais brevidade para tratar o tema.”

sábado, 17 de abril de 2010

Eleições indiretas para o GDF

Parlamentares elegem Rogério Rosso o novo governador do DF

Ana Elisa Santana
Débora Álvares

Rogério Rosso é o novo governador do Distrito Federal. Ele foi eleito na tarde deste sábado (17/4), em sessão extraordinária da Câmara Legislativa com 13 votos a favor, número mínimo necessário para que não houvesse segundo turno.

Votaram no candidato peemedebista os deputados Aguinaldo de Jesus, Alírio Neto, Ailton Gomes, Batista das Coopertativas, Benedito Domingos, Benício Tavares, Cristiano Araújo, Dr. Charles, Eurides Brito, Geraldo Naves, Pedro do Ovo, Rogério Ulysses e Roney Nemer.

Wilson Lima, inicialmente cotado como favorito a vencer o pleito, recebeu apenas quatro votos, dos distritais Jaqueline Roriz, Milton Barbosa, Paulo Roriz e Raimundo Ribeiro. O candidato petista teve a preferência de seis dos parlamentares: Chico Leite, Eliana Pedrosa, Érika Kokay, Paulo Tadeu, Reguffe e Cabo Patrício.

O deputado Raad Massouh absteve-se na votação.

Rogério Rosso passa a ser o chefe do executivo local até o dia 31 de dezembro. A nova vice-governadora é Ivelise Longhi. Na próxima segunda-feira (19/4), haverá sessão solene na Câmara Legislativa, às 10h, para a tomada de possedo novo governador.

Correio Braziliense
http://www.correiobraziliense.com.br/

Comentário do Blog: Rogério Rosso e Ivelise Longhi são aliados históricos de Roriz e de Arruda, tendo participado do governo de ambos. Receberam votos de todos os deputados distritais denunciados na Operação Caixa de Pandora. Tudo leva a crer que o aparelhamento político do GDF para obtenção de contribuições financeiras com finalidade eleitoral vai continuar, interferindo nas eleições de outubro. Venceu a hipocrisia da "normalidade". Uma eleição sem povo, ilegítima, com a participação de um terço de deputados denunciados por corrupção, um dos quais acabou de sair da prisão, sem contar aqueles que são empresários cujas empresas são contratadas do GDF. As razões que justificam uma Intervenção Federal permanecem. Intervenção Já!

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Eleições no DF

Em Brasília, eleitor prefere intervenção à eleição indireta


Pesquisa mostra apoio de 56,3% a interventor indicado por Lula
Maioria de 61,7% rejeita todos os candidatos a governador


Deputados distritais de Brasília devem escolher amanhã (17.abr.2010), de maneira indireta, um governador interino para a capita federal. Mas se dependesse do eleitorado local, no entanto, essa eleição indireta não ocorreria, segundo constatou pesquisa realizada de 10 a 13 de abril pela consultoria O & P Brasil Opinião, Análise e Estratégia.

A consultoria perguntou a 1.200 eleitores de Brasília se “seria melhor o presidente Lula nomear um interventor para governar até [31 de] dezembro ou os [deputados] distritais escolherem o novo governador”. Resultado: 56,3% dos entrevistados preferem a intervenção federal e apenas 35,4% aprovam a eleição indireta. Não souberam ou não quiseram responder à pergunta 8,3% dos entrevistados.

Registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em 9 de abril, a pesquisa tem margem de erro de 2,8 pontos percentuais.

A sondagem também quis saber qual candidato inscrito na eleição indireta a população elegeria, se houvesse essa possibilidade. A imensa maioria relevou não ter identificação com os nomes apresentados. Não souberam ou não quiseram responder à pergunta 33,2% dos entrevistados. Outros 28,5% não votariam em nenhum dos nomes. Ou seja, 61,7% rejeitam os atuais candidatos inscritos para concorrer a governador na eleição de amanhã.

Entre os eleitores que manifestaram alguma preferência pelos candidatos a governador de Brasília na eleição indireta, apenas 17,1% escolheram Wilson Lima (PR). Ele é o atual governador interino. Presidente da Câmara Legislativa do DF, Lima assumiu o cargo em 23 de fevereiro, quando renunciou o ex-vice governador, Paulo Octávio (sem partido, ex-DEM).

Depois de Lima, os percentuais dos outros candidatos é muito baixo. O segundo colocado na preferência dos eleitores de Brasília é Rogério Rosso, com 4,7% das intenções de voto. Em seguida, Aguinaldo de Jesus, com 3,5%.

Próximo ano

A O & P ainda questionou o eleitorado do DF sobre as eleições de outubro para governador, presidente e senador (cujos mandatos se iniciam em 1.jan.2011).
Os resultados foram os seguintes:

Presidente (em qual candidato votará o eleitor do DF)

José Serra (PSDB): 30,2%

Dilma Rousseff (PT): 24,3%

Marina Silva (PV): 13%

Ciro Gomes (PSB): 12,4%

Brancos, nulos, não sabe ou não respondeu: 20,1%


Governador – DF

1° turno:

Joaquim Roriz (PSC): 38,8%

Agnelo Queiroz (PT): 25,1%

Alberto Fraga (DEM): 4,4%

Toninho (PSOL): 2,8%

Gim Argello (PTB): 2,3%

Indecisos, Brancos, Nulos e Nenhum: 26,6%


2° turno

Quadro 1: Roriz 43,7% x Queiroz 34,7%

Quadro 2: Queiroz 41,6% x Abadia 25,6%

Quadro 3: Roriz 47,9% x Abadia 16%


Senador – DF (cada eleitor vota duas vezes)

Lista 1:

Cristovam Buarque (PDT): 47,3%

Rollemberg (PSB): 28,9%

Abadia (PSDB): 22,5%

Jofran Frejat (PR): 11,2%

Fraga (DEM): 11,2%

Adelmir Santana (DEM): 7,1%

Nenhum: 39,5%

Não sabe ou não respondeu: 30,1%


Lista 2:

Cristovam Buarque (PDT): 49,7%

Rollemberg (PSB): 28,7%

Adelmir Santana (DEM): 6,7%

Eliana Pedrosa (DEM): 14,3%

Jaqueline Roriz (PMN): 14,1%

Rodovalho (PP): 10%

Nenhum: 44,3%

Não sabe ou não respondeu: 33,8%


Lista 3:

Cristovam Buarque (PDT): 50,7%

Rollemberg (PSB): 32,1%

Adelmir Santana (DEM): 7,6%

Eliana Pedrosa (DEM): 17,7%

Rodovalho (PP): 8,4%

Nenhum: 46,7%

Não sabe ou não respondeu: 35,3%


Blog do Fernando Rodrigues

http://uolpolitica.blog.uol.com.br/

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Intervenção Já

Procurador-geral vê corrupção ainda maior no DF


A corrupção revelada pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal (PF), registra só uma parcela do desvio de dinheiro público no Distrito Federal - esquema supostamente liderado pelo governador cassado José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) chamado de mensalão do DEM -, segundo o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Ele afirmou que a situação é gravíssima e que há indícios de que a corrupção pode ser maior do que foi divulgado até agora.

"Estamos desde sempre prosseguindo e aprofundando as investigações. Há indícios de que além do que já foi revelado haveria muito mais em termos de irregularidades, em termos de uma corrupção disseminada pela máquina administrativa do Distrito Federal", declarou Gurgel ontem. "A situação, diferentemente do que certas aparências possam indicar, continua extremamente grave."

Gurgel defendeu ontem a necessidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar a intervenção no DF. "Na verdade, se tem procurado dar uma aparência de normalidade ao funcionamento das instituições do Distrito Federal. Mas é uma aparência que se limita à superfície", disse.

De acordo com o procurador, problemas graves persistem no Executivo e no Legislativo. "O Ministério Público continua convencido que (os problemas) só poderiam ser resolvidos com a decretação da intervenção federal", afirmou. O procurador é contra a realização de eleição indireta para escolha do novo governador. Segundo ele, o objetivo é tentar enfraquecer o pedido de intervenção.

O Estado de São Paulo, 07/04/2010

sexta-feira, 26 de março de 2010

Intervenção Já

Para que tudo permaneça como está

A semana termina com o agendamento das eleições indiretas para o GDF, a serem realizadas pela Câmara Legislativa do DF, para o dia 17 de abril. O governador em exercício, deputado distrital Wilson Lima (PR) já anunciou sua candidatura. Outros deputados distritais citados como prováveis candidatos são Eliana Pedrosa (DEM) e Alírio Neto (PPS), todos fiéis integrantes da base de apoio do Governo Arruda, com inúmeras indicações no GDF e/ou relações empresariais com o governo. 

Ontem foi realizada manifestação da "sociedade civil" contra a proposta de Intervenção Federal. Apesar da intensa campanha do jornal Correio Braziliense, que tem dedicado uma página diária ao "movimento" nas últimas semanas, o evento teve a participação de menos de 50 pessoas. Foi patético. Teve menos gente do que a quantidade de entidades que assinaram a nota de convocação, totalizando 57 instituições.

Gente que luta para que os contratos e as obras não sejam interrompidos, supostamente para não gerar desemprego e redução da atividade econômica. Não importa se eventualmente houve superfaturamento. Não importa se tais contratos e obras incluem a formação de "caixa 2" para a campanha eleitoral de 2010. 

É essa a "normalidade" que unifica desde Agnelo Queiroz (PT), passando por Cristovam Buarque (PDT), até chegar a Roriz (PSC). Ficaram todos muito parecidos.

Juarez de Paula

terça-feira, 23 de março de 2010

Crise no DF

Arruda: a profecia da pizza vai se cumprindo



Cassado por algo do qual não pode ser acusado, o agora ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda vai ajudando a profecia da pizza ser cumprida em Brasília.

Arruda não vai recorrer da decisão do TRE-DF de cassá-lo por infidelidade partidária. É curioso. Está cheio de razão para protestar. Afinal, alguém conhece um político mais fiel ao DEM do que Arruda? Ele não entregou até hoje nenhum "demo" aos leões...

Conformado com a única punição que não merecia, Arruda não será então admoestado por conta de outras acusações nem sofrerá impeachment. E breve, estará solto - pois não terá mais poder para obstruir a Justiça. E a vida segue.

Tudo tal qual foi dito aqui no dia 16.mar.2010. (Reproduzido neste blog em 17/03/2010)

Triste.

Blog do Fernando Rodrigues
http://uolpolitica.blog.uol.com.br/

sexta-feira, 19 de março de 2010

Artigo de Kennedy Alencar

Intervenção em Brasília já


O STF (Supremo Tribunal Federal) deverá analisar na primeira quinzena de abril o pedido de intervenção federal em Brasília que foi apresentado pela Procuradoria Geral da República. Se não decretar a intervenção, o Supremo cometerá um erro.

A corrupção em Brasília é mais grave do que mostraram as imagens gravadas por Durval Barbosa, o delator do esquema do mensalão do DEM no Distrito Federal. É necessária uma força-tarefa composta por juízes, procuradores e policiais federais para realizar uma espécie de "Operação Mãos Limpas". Não basta a varredura da Controladoria Geral da União nos repasses federais. É preciso averiguar em detalhes como cada tostão dos cofres públicos vem sendo gasto.

A máfia brasiliense não está apenas nos cargos mais altos do Executivo e do Legislativo. Espalhou-se por órgãos públicos e administrações regionais. Para cada estatal, há uma ou mais gangues. Ilegalidades são cometidas por servidores corruptos e empresários corruptores.

Por que chegamos a esse ponto?

Na época de Joaquim Roriz, um ícone do atraso na política, havia uma espécie de comando único na corrupção. Essa ordem unida decretou um silêncio que garantiu impunidade e fortuna a corruptos e corruptores. Com a eleição de José Roberto Arruda em 2006, aconteceu um racha. Houve uma briga de quadrilha, para usar um termo elegante.

A classe política de Brasília derreteu. A mesma Câmara Distrital que abafou investigações contra Arruda agora deseja votar o seu impeachment e eleger, por voto indireto, um novo governador. Nas estatais, há até ameaças de violência física para a manutenção de contratos superfaturados.

Só uma força-tarefa federal, respaldada pela autoridade do Supremo, poderá fazer uma investigação profunda em Brasília. Em outubro, haverá a eleição de um novo governo e de uma nova Câmara Distrital. Essa força-tarefa teria até 1º de janeiro de 2011 a missão de realizar uma ampla varredura em todas as esferas do Executivo e do Legislativo de Brasília.

Inscrita na Constituição, a intervenção é um instrumento de preservação do Estado democrático de direito.

É uma saída radical? Sim.

Deve ser usada em situações extremas? Sim.

É o caso de Brasília? Sim.

O discurso de que as coisas estão voltando ao normal interessa mais a um grupo de corruptos e corruptores do que aos dois milhões de pessoas que vivem em Brasília. O Supremo tem a oportunidade de tomar uma decisão histórica. Se optar pela intervenção, dará um passo importante no combate à corrupção em todas as esferas de poder no país.

*

Covardia e omissão

O senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) não tem o direito de excluir seu nome das conversas sobre candidatura a governador de Brasília. Beira a covardia preferir a recondução fácil a uma cadeira do Senado numa hora dessas.

Kennedy Alencar
Pensata – Folha OnLine – 18/03/2010

quarta-feira, 17 de março de 2010

Crise no DF

Decisão no DF é o jeitinho brasileiro no seu melhor


FERNANDO RODRIGUES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA


José Roberto Arruda foi o pivô do mais bem documentado escândalo de corrupção da história brasileira. Ele alega ser inocente. Mas vídeos em profusão mostraram seus aliados escondendo maços de dinheiro nos lugares mais recônditos de suas vestimentas.

O Democratas, de maneira pusilânime, não o expulsou de maneira imediata. Negociações de bastidores ocorreram para que Arruda saísse sozinho.

Agora, o governador está sendo cassado por um crime que, a rigor, não cometeu: o TRE o cassou por infidelidade partidária. O que ocorreu, na realidade, foi que o Democratas forçou Arruda a sair do partido. Só quem chegou de Marte agora não conhece essa história.

A decisão é conveniente a todos. É o jeitinho brasileiro elevado à máxima potência.

Se não recorrer, Arruda não é mais governador. Logo, não tem mais o poder de obstruir a Justiça e pode sair da cadeia.

Na Câmara do DF (essa anomalia), o processo de impeachment terá de ser extinto. A intervenção também perde força.

Por fim, o próprio Arruda pode dar uma sumida e voltar quando bem entender, candidato a alguma coisa, pois só perdeu o mandato, não o direito de concorrer nas eleições.

Folha de São Paulo, 17/03/2010

sexta-feira, 5 de março de 2010

Impeachment de Arruda

Supremo nega habeas corpus e mantém prisão de Arruda


MÁRCIO FALCÃO
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Por nove votos a um, os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) negaram nesta quinta-feira o pedido de liberdade do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), preso na Polícia Federal desde o dia 11 de fevereiro. Com a decisão, o governador permanecerá preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Impeachment de Arruda

Câmara do DF acolhe parecer favorável ao pedido de impeachment de Arruda


MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

O governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), sofreu uma nova derrota nesta quinta-feira na Câmara Legislativa. Por 19 votos favoráveis e nenhum contrário, os deputados distritais aprovaram o parecer da comissão especial que pede abertura de processo de impeachment contra o ex-democrata.

terça-feira, 2 de março de 2010

A fila anda

Mais um deputado distrital renuncia

O deputado distrital Junior Brunelli (PSC), um dos que aparece nas gravações reveladas pela operação Caixa de Pandora recebendo dinheiro e fazendo uma oração de agradecimento, encaminhou carta-renúncia à Câmara Distrital do DF nesta tarde. É mais um que utiliza o recurso da renúncia para evitar a cassação do mandato, que o deixaria inelegível. Diferentemente de Leonardo Prudente (DEM), o primeiro a renunciar, Brunelli não fez afirmações de que não disputará as eleições de 2010.

Juarez de Paula


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Intervenção Já

Mais exemplos didáticos para explicar quem tem medo da intervenção

Deixa estar 1. O novo governador interino do DF, Wilson Lima (PR), ganhou apoio de entidades do comércio e do empresariado de Brasília, que lançaram manifesto contra a possibilidade de intervenção federal. Temem a "paralisação da atividade econômica".


Deixa estar 2. Diz o texto: "Não há necessidade de intervenção. Acreditamos que os dispositivos legais e constitucionais e o respeito à linha sucessória legal são instrumentos suficientes para a busca de soluções para a crise política".


Ponte. O contrato da Serveng Civilsan para a construção do metrô de Brasília vem sendo prorrogado há 13 anos sem licitação. A empresa, que no governo Arruda recebeu R$ 176,4 milhões, destinou R$ R$ 1,2 milhão à campanha de Gilberto Kassab em 2008.


Renata Lo Prete
Coluna Painel – painel@uol.com.br
Folha de São Paulo, 28/02/2010

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A fila anda

Leonardo Prudente renuncia para  escapar de cassação

O deputado distrital Leonardo Prudente, ex-presidente da Câmara Distrital do DF, aquele que aparece nos vídeos tornados públicos pela operação Caixa de Pandora escondendo dinheiro nas meias, renunciou nesta sexta-feira, para escapar do processo de cassação do mandato.

Na sua carta-renúncia, afirma que não disputará nenhum cargo eletivo em 2010. Menos mal, já que a renúncia antecipada evita a suspensão dos seus direitos políticos.

Como o Projeto Ficha Limpa ainda não foi aprovado, é provável que outros deputados distritais usem do artifício da renúncia para escapar da cassação e da consequente suspensão dos direitos políticos, assegurando suas candidaturas no final do ano. Restará aos eleitores completar o serviço de faxina política no DF e derrotá-los nas urnas.

Resta saber se o GDF continuará mantendo os contratos milionários com as empresas de Leonardo Prudente.

Juarez de Paula

Intervenção Já - Opinião

As aparências nem sempre enganam

O Correio Braziliense, destinatário de parte muito significativa da verba publicitária do GDF, publicou na sua edição de ontem um Editorial contra a intervenção federal no GDF.

A OAB/DF, cujo presidente Francisco Caputo integra escritório que advogou para o governador José Roberto Arruda, iniciou um movimento da "sociedade civil" contra a intervenção federal no GDF.

Diversos partidos estão se movimentando para promover um "acordo político" que dê sustentação ao governador Wilson Lima, ex-presidente da Câmara Distrital, empossado no governo após a renúncia do vice-governador Paulo Octávio.

O objetivo deste "acordo político", segundo comentários da imprensa, é a manutenção dos cargos comissionados no GDF, a manutenção dos contratos com os fornecedores de produtos e serviços pagos pelo GDF e suas consequentes conexões com interesses políticos e eleitorais do grupo instalado no poder.

As notas da Coluna Painel, da edição de hoje do jornal Folha de São Paulo, reproduzidas neste blog, são didaticamente esclarecedoras.

Giuseppe Tomasi de Lampedusa (1896 - 1957), autor do clássico italiano "O Leopardo", escreveu uma frase que se tornou célebre: "É preciso que tudo mude para que tudo permaneça como está."

Este é o sentido do movimento político em curso no DF.

As evidências demonstram porque a intervenção federal no GDF é justificada e imprescindível para interromper o processo de corrupção e abuso do poder político e econômico que sobrevive e teima em resistir, à revelia dos interesses da população. Basta!

Juarez de Paula

Intervenção Já

Picolé 1. Aliados do governador interino do DF, Wilson Lima (PR), articulam acordo para tentar mantê-lo na cadeira até o final do ano. O principal ponto seria um pacote de bondades para a CUT, com aumento salarial de professores e a implementação de um plano de saúde para todos os servidores da máquina.

Picolé 2. Para o grupo de José Roberto Arruda, o interino se comprometeria a manter servidores em cargos de pequeno e médio escalão.

Da hora. Saltitante com a ideia de herdar a máquina do DF em pleno ano eleitoral, o PR planeja um evento para homenagear Wilson Lima.

Time. Com Lima, estão em alta o ex-deputado José Edmar (PR), preso à época da CPI da Grilagem de Terras, e João de Deus (PPS), prefeito de Água Fria de Goiás.

Canetada. A Secretaria de Saúde do DF, uma das passagens do propinoduto, firmou anteontem contrato sem licitação de R$ 6,2 mi com a empresa de segurança Ipanema, também citada no suposto esquema de superfaturamento das terceirizadas no Senado.

Renata Lo Prete - Coluna Painel – painel@uol.com.br
Folha de São Paulo, 26/02/2010

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Crise no DF - opinião

A crise continua

A despeito da posse do deputado distrital Wilson Lima como governador do DF, a crise continua. Sim, porque caso deseje ser candidato nas eleições de 2010, Wilson Lima terá que se desincompatibilizar do cargo em abril. O atual presidente da Câmara Distrital, Cabo Patrício, ficará na mesma situação. Assim sendo, o sucessor seria o presidente do TJDF, que já afirmou não desejar a tarefa, razão pela qual convocaria imediatamente eleição indireta a ser efetuada pelos deputados distritais.

A Câmara Distrital tem 08 de 24 deputados diretamente envolvidos nas denúncias da operação Caixa de Pandora. Além disso, 03 outros deputados são proprietários de empresas com contratos milionários do GDF. Quase todos são acusados de terem recebido uma volumosa quantia pela aprovação do Plano Diretor de Ordenamento Territorial - PDOT. Quase todos têm de dezenas a centenas de funcionários nomeados no GDF. Qual a legitimidade de uma Câmara Distrital com este perfil para eleger um governador que tenha como tarefa por fim ao tráfico de influência, às propinas e à arrecadação ilegal de recursos para campanha eleitoral?

Tem muita gente importante que continua dizendo que a intervenção federal agride a autonomia política do DF. Dizem que o DF não pode parar. Mas isso quer dizer que a corrupção também não pode parar? Porque sem intervenção, o que vai acontecer é a manutenção do mesmo grupo no poder, interferindo no resultado eleitoral através do abuso do poder político e econômico. Talvez seja isso mesmo o que deseja essa gente importante.

Juarez de Paula

Crise no DF

É para rir ou para chorar?


A crise política -ou policial?- da capital da República evolui de tragédia para um pastelão de matar qualquer um de "indignação e vergonha", até Joaquim Roriz, que se disse escandalizado na TV.

Logo ele, a origem de tudo e candidatíssimo a um quinto mandato ao governo. É muita cara de pau.

Além dessa, outras cenas chocantes são a falsa arguição de suspeição sendo protocolada no Supremo contra Marco Aurélio de Mello no caso Arruda e o novo governador, Wilson Lima, se aboletando no "Buritinga", mistura de Buriti (árvore do cerrado que dá nome à sede do governo, em reforma) com Taguatinga (centro industrial do DF, se é que se pode chamar assim).

Deputado distrital e empresário, Lima registra uma invejável versatilidade no seu currículo de "vendedor de picolé, frentista, mecânico, lanterneiro, pintor, balconista e cobrador de ônibus".

Substitui Paulo Octávio, que não precisou desarrumar as gavetas, porque nem tivera tempo de arrumá-las, e José Roberto Arruda, que vai ficando na cadeia. Passou o Carnaval, já estamos entrando em março e lá está ele, enfim um troféu para a Justiça, cansada de só perder a corrida para a opinião pública.

O habeas corpus de Arruda é uma história paralela no pastelão. Um dos advogados tinha certeza de que o ministro Fernando Gonçalves (STJ) não iria mandar prender o governador. O outro, de que Marco Aurélio, o acatador-mor de habeas corpus, não iria negar justamente o de Arruda. Erraram feio. E ficaram mais desconfiados e racharam.

Daí o pedido de adiamento da votação de hoje do HC. Sabiam ou intuíam que Arruda iria perder mais essa e, perdido por um, perdido por mil. Melhor ganhar tempo para encorpar os argumentos jurídicos e diminuir os holofotes políticos.

Arruda na cadeia por mais uma semana no mínimo, Paulo Octávio expelido, o tal Wilson se empavonando, Roriz voltando. A crise não só continua. Piora a olhos vistos.

Eliane Cantanhêde
Folha de São Paulo, 25/02/2010

Crise no DF

Nuvens em Brasília


Tormam-se ainda mais graves as perspectivas políticas do Distrito Federal com a renúncia do vice-governador Paulo Octávio. Seu sucessor, o presidente da Câmara Legislativa, Wilson Lima (PR), já é o terceiro mandatário da capital do país em apenas 12 dias.

Há dúvidas sobre as condições políticas e administrativas de Lima para exercer a função. Sabe-se, além disso, que ele tem planos de se candidatar a um novo mandato na Câmara, o que o obrigaria a desvincular-se do cargo no início de abril. Caso opte por permanecer, há ainda a hipótese de que venha a ser atingido por denúncias -ele que é aliado do governador José Roberto Arruda, ora em prisão preventiva.

Numa eventual ausência de Lima, caberia a seu vice na Câmara, conhecido como Cabo Patrício (PT), assumir o cargo. Mas também ele pretende se apresentar no pleito. Quanto ao presidente do Tribunal de Justiça, a quem, por fim, caberia o bastão, já avisou que não o aceitará.

Há no entanto uma pequena chance de a prisão de Arruda ser suspensa pela Justiça e o governador retornar ao cargo. É um desdobramento formalmente possível, embora improvável.

Restaria a alternativa da intervenção, que será objeto de análise pelo Supremo Tribunal Federal, em março. Há sinais de desconforto da corte e do próprio Executivo para assumir o ônus da decisão, que é, de fato, extrema. Em tese, deveria ser evitada em prol de uma solução política. A questão é saber se a presença de Lima no cargo poderá se configurar como tal solução.

Editorial da Folha de São Paulo, 25/02/2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Crise no DF

‘Novo’ interino do DF: ‘Não farei mudanças bruscas’


Brasília passa a conviver, nesta quarta (24), com seu terceiro governador em 12 dias – o deputado distrital Wilson Lima (PR).
Presidente da Câmara Legislativa do DF, ele foi ao comando da Capital depois que Paulo Octávio (ex-DEM), o interino anterior, bateu em retirada.
Wilson Lima é velho aliado de José Roberto Arruda, o governador afastado e preso. Em nota divulgada na noite passada, iluminou suas intenções.
Às voltas com uma administração que reclama reviravolta, Wilson Lima avisa: “Não farei mudanças bruscas”.
Embora a conjuntura aconselhe ação, ele informa que vai enfrentar a nova missão “com serenidade, humildade e muita r-e-f-l-e-x-ã-o".
Reconhece que “há um sentimento de desilusão na população”. Mas é contra a "ruptura política e a intervenção federal”.
Acossado pela anormalidade, o "novo" interino escreve: “O compromisso que posso assumir [...] é com a normalidade democrática”.
Os malfeitos e a suspeição pululam ao redor. Mas Wilson Lima não pensa em auditorias. Não cogita nem mesmo a abertura de uma reles sindicância.
Sua prioridade é manter as obras sociais e a movimentação pesada dos canteiros de obras abertos sob Arruda, o aliado preso.
Promete “[...] não permitir a paralisia do governo, para que as obras e ações sociais sejam levadas até o fim, não piorando ainda mais as coisas”.
O deputado vai ao leme sem ter a mais remota idéia de quanto tempo vai durar sua interinidade:
“Afirmo que farei o que estiver ao alcance de minhas forças para, seja qual for o período em que o GDF estiver sob meu comando, honrar cada minuto de minha passagem por este posto”.
Tomado pela nota inaugural, o deputado Wilson Lima faz bem em contar o tempo em “minutos”. Quando menos perceber, sua hora já terá passado.

Blog do Josias de Souza, 24/02/2010
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