quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Uma agenda para o futuro

O Brasil saiu de 20 anos de Ditadura Militar (1964-1984) num ambiente que refletia certa instabilidade democrática. A despeito das grandes mobilizações da Campanha das Diretas-Já, a emenda das eleições diretas para presidente foi derrotada e a chapa Tancredo Neves - José Sarney saiu vitoriosa no Colégio Eleitoral. Todavia, o presidente eleito morreu antes de tomar posse e José Sarney foi empossado com baixa legitimidade, posto que não representava o movimento social pela redemocratização do país. Além disso, seu governo ficou marcado pela instabilidade monetária, resultando numa economia hiperinflacionária.

A eleição de Fernando Collor, em 1989, impondo uma derrota a Lula através de forte manipulação dos meios de comunicação social, seguida pelo seu impeachment no meio do mandato, também contribuíram para a manutenção do cenário de instabilidade democrática e monetária.

Assim sendo, os governos de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso tiveram uma agenda marcada pela busca da consolidação democrática e da estabilidade monetária, o que foi alcançado, simbolicamente, pela construção de governos de coalizão, pelo Plano Real e pela Lei de Responsabilidade Fiscal. A transferência de poder de Fernando Henrique Cardoso para Lula, representou, também simbolicamente, um marco na conclusão do processo de transição democrática. A eleição de um ex-retirante nordestino, ex-operário metalúrgico, ex-sindicalista, como presidente do país, deixou evidente que o Brasil efetivamente sofrera uma mudança.

O governo Lula representa a afirmação de uma nova agenda: a inclusão social e o combate à pobreza. Políticas públicas de transferência de renda, a exemplo do Programa Bolsa Família, dentre outras iniciativas de igual sentido, representam simbolicamente o reconhecimento de que todos os brasileiros devem ter o direito de usufruir dos resultados do crescimento econômico.

Ocorre que o mundo está diante de um novo cenário e novas escolhas estratégicas estão sendo exigidas. Estamos confrontados pelo fenômeno do aquecimento global, decorrente do modelo de produção e consumo que se tornou hegemônico. Um fenômeno que ameaça a manutenção da vida no planeta e que exige uma profunda mudança de paradigmas.

A modernidade nos convenceu a acreditar no mito do progresso material e ilimitado. O conceito de desenvolvimento foi confundido com o conceito de crescimento econômico. Agora, somos obrigados a considerar que há limites para o crescimento e que precisamos construir um novo conceito de desenvolvimento, que não ignore as exigências da sustentabilidade.

O atual padrão de produção e consumo que caracteriza o modo de vida das populações de maior renda, não é sustentável, caso pretendamos estendê-lo a todos os habitantes do planeta. Portanto, a idéia de democracia, de igualdade de direitos e oportunidades, que também é um legado da modernidade, exige que reconheçamos a necessidade de um novo modelo de desenvolvimento, sustentável e includente. Esta é a agenda do futuro, que precisa ser construída a partir de agora.

É preciso ir muito além da perspectiva do "crescimento com distribuição de renda", pois essa é uma agenda do passado, quando se acreditava que poderíamos manter o mesmo modelo de produção e consumo atual, típico da "sociedade industrial". Estamos em um outro tempo, com outros desafios, que exigem outras respostas.

Não se trata, evidentemente, de negar aos dois terços da humanidade que estão excluídos do acesso aos bens de consumo do mundo capitalista, a perspectiva de conquistarem condições dignas de vida. Trata-se, ao contrário, de aceitar o desafio de assegurar qualidade de vida para todos, inclusive para os que ainda viverão no futuro, o que exige pensar uma outra economia, um outro mundo possível.

Dentre os agentes políticos presentes no cenário nacional, quem melhor poderia representar a afirmação desta nova agenda, a agenda do desenvolvimento sustentável, sem renunciar às agendas da democracia, da inclusão social e do combate à pobreza? Qual a personalidade política que poderá colocar esse tema no debate político com maior legitimidade? Quem, simbolicamente, poderá representar um avanço que não significa a negação de todas as conquistas que o povo brasileiro vem acumulando nas últimas décadas?

Não tenho outra resposta que não seja Marina.

Juarez de Paula

4 comentários:

  1. A-R-R-A-S-O-U!!!!

    Beijo grande,
    Bel Miranda

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  2. Excelente artigo!
    Claro, objetivo, didático e, acima de tudo, consistente e oportuno.
    Parabéns por ele e também pelo Blog.
    Estarei sempre "por aqui".
    Beijos,
    Larissa

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  3. Oi Juarez,

    Parabéns pelo blog!
    Este seu artigo está muito interessante.
    Tenho certeza que encontraremos, por aqui, outros tantos textos pertinentes e inteligentes.

    Abraços,
    Michelle Lopes

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  4. muito boa reflexão

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